sábado, 7 de fevereiro de 2009

Didática do Esporte

MEDEIROS, Mara. Didática do Esporte. Modulo 2 Dimensões Pedagógicas do Esporte (Ministério do Esporte) Brasília: Universidade de Brasília/CEAD,2004.

Resenhado por Tânia Mara Suematsu Vagetti, cursista do curso de especialização – Esporte Escolar da Universidade de Brasília.

Didática é uma disciplina que busca auxiliar o professor na direção e na orientação das suas tarefas docentes ( p 56 ), oferecendo instrumentos para que o professor possa realizar, de forma positiva, a organização do seu trabalho pedagógico. (p 61 )
Na Didática tradicional:o aluno é considerado um ser passivo, cujo papel é apenas escutar repetir e reter o conhecimento dado pelo professor.
Na Didática critica o aluno contribui para sua aprendizagem de forma ativa: seleciona, assimila, interpreta, generaliza informações sobre seu meio físico e social (Davis / Grosbaum – 2001 )
As mudanças na forma de compreender o papel do aluno implicou numa revolução na forma de conceber o ensino, alterando a postura do professor. Se antes cabia apenas transmitir o conhecimento de forma pronta e acabada, hoje espera-se que ele seja o mediador.
Medeiros (2004) com base nas competências estabelecidas por perrenoud, apresenta as competências necessárias para o professor de Educação Física, tais como:

1) Conhecimento da Educação Física no contexto da educação e da sociedade.

2) Conhecimento técnico-teórico-filosófico a respeito da pessoa humana.

3) Capacidade reflexiva para analisar os diversos fenômenos que compõem a prática cotidiana.

4) Capacidade de realizar sua formação continuada.

5) Capacidade de produzir conhecimento.

6) Capacidade de comunicar-se com seus interlocutores.

Para se desempenhar bem o papel de professor nesse novo contexto é fundamental uma mudança de postura, ou seja de dono absoluto do saber, o educador passa a ser o intermediário entre o conhecimento acumulado e o interesse e a necessidade do aluno.

Segundo o autor o fato de partir de uma concepção critica da Didática tradicional não significa estar negando procedimentos didáticos. Portanto o ato de planejar deve ser uma constante no nosso dia a dia , onde o “ por que “ é o objetivo, “o que” é o conteúdo e “como” é o método, cabendo a avaliação durante todo o processo. (p.65 e 67 )
O planejamento é uma preparação prévia de como atuar, ou uma antecipação dos resultados do trabalho docente.As três formas de planejamento são: plano da escola, plano de ensino e plano de aula.(p 68 )
O plano da escola, hoje apresentado como projeto-politico-pedagógico ou projeto-pedagógico-escolar, parte dos problemas e dificuldades que a escola enfrenta no seu dia a dia e com sua comunidade escolar discute e planeja ações a serem desenvolvidas a curto, médio e longo prazo para sanar as dificuldades e garantir qualidade de ensino e aprendizagem.
Souza e Marçal, definem o projeto pedagógico como instrumento teórico-metodológico que a escola elabora, de forma participativa, com a finalidade de apontar a direção e o caminho que vai percorrer para realizar, da melhor maneira possível, sua função educativa.
O plano de ensino ou plano de curso é a organização das atividades didáticas, deve conter: objetivos gerais, objetivos específicos, conteúdos, metodologia e formas de avaliação. (p 71)
O plano de aula é o que podemos chamar de um “detalhamento“do plano de ensino. A orientação para o objetivo de uma aula vem do plano de ensino, enquanto os conteúdos explicitados, também no plano de Ensino, são desmembrados e detalhados para serem trabalhados em uma ou mais aulas. (p 71 )
Planejar uma aula não é estabelecer uma relação de exercícios a serem aplicados.Esta relação de exercícios seria a parte referente a conteúdo. A aula supõe um objetivo claro, os conteúdos, o método e a avaliação, ainda que seja um documento simples.(p 72)
Tratando sobre comportamento ético no esporte a autora esclarece que ética diz respeito aos valores e as normas de condutas da sociedade, ou seja, a Ética é igual a princípios de conduta. (p89)
Portanto a conduta que se espera do professor é a sua responsabilidade perante a educação dos seus alunos e dos praticantes dos esportes espera-se que sejam justos, solidários e leais para com o próximo (p 90 e 91)
O professor deve estar atento para conter a reprodução de valores capitalistas presente no esporte, na medida que valoriza o individualismo a competitividade e a seletividade.
O professor deve ter uma visão critica para possibilitar a interrupção da cadeia de reprodução e iniciar o processo inverso, ou seja a transformação.(p 93)
A autora encerra a unidade tratando da diversidade e inclusão.
A diversidade na escola deveria ser vista como diferenças humanas positivas,pois as inúmeras culturas que se misturam no dia a dia, propiciam uma riqueza sem fim. No entanto por vezes as diferenças são confundidas com desigualdades e acaba por produzir inferioridade.
Neste sentido, a LDB (Brasil 1996), apesar de suas contradições, abre espaços para a construção de uma escola comprometida com a cidadania e com rejeição a exclusão.
Também os parâmetros curriculares nacionais ( PCN’s) (Brasil 1996), que servem de apoio às discussões e ao desenvolvimento dos projetos educativos da escola, reforçam a necessidade de construir uma educação básica que adote como eixo estrutural o principio da inclusão, apontando para uma perspectiva metodológica de ensino-aprendizagem que busque a cooperação e a igualdade de direitos.
Entretanto, para que essas idéias se tornem realidades não basta estar previsto em Lei. É preciso segundo Arrovo (1996) situar a escola na construção de um projeto político e cultural por um ideal democrático não só por relações de perda, de exclusão, de preconceitos e discriminações, mas também por processos de afirmação de identidade, valores, vivencias e cultura.
A Educação Física vinculada a Educação que busca a humanização, deve abandonar definitivamente os modelos arcaicos, representados pela exclusão dos portadores de necessidades especiais e por agregar o trabalho diferenciado entre meninos e meninas, etc...
É importante insistir que trabalhar com crianças “especiais” não requer uma especialização para “reduzir as deficiências”, mas aprimoramento pedagógico para que o professor possa identificar as dificuldade de seus alunos no sentido de mediar as suas relações com a escola. (p97)
Segundo Souza e Altmann, sendo gênero uma categoria relacional, há de se pensar sua articulação com outras categorias durante aulas de educação física, porque gênero, idade, força e habilidade formam um “emaranhado de exclusões” vividas por meninas e meninos na escola. Não se pode concluir que as meninas são excluídas de jogos apenas por questões de gênero, pois o critério de exclusão não é exatamente o fato de elas serem mulheres, mas por serem consideradas mais fracas e menos habilidosas que seus colegas ou mesmo que outras colegas.
Ademais, meninas não são as únicas excluídas, pois os meninos mais novos e os considerados fracos ou maus jogadores freqüentam bancos de reserva durante aulas e recreios, e em quadra recebem a bola com menor freqüência até mesmo do que algumas meninas.
Tais constatações mostram-nos que a separação de meninos e meninas nas aulas de educação física desconsidera a articulação do gênero com outras categorias, a existência de conflitos, exclusões e diferença entre pessoas do mesmo sexo, além de impossibilitar qualquer forma de relação entre meninos e meninas.
Devemos considerar que as desigualdades ocasionam as disputas e devemos rever as diferenças dentro do modelo da cooperação.
Que o professor seja capaz de realizar reflexões e questionamentos sobre a sua pratica, enfatizando o trabalho cooperativo e evitar a exclusividade da competição.

Referencias Bibliográficas


DAVIS, Claudia Leme Ferreira & CROSBAUM,Marta Wolak. Progestao: Como promover o sucesso da aprendizagem do aluno e sua permanência na escola?, Modulo IV. Brasília, CONSED, 2001.

SOUZA, Jose Vieira de & MARÇAL, Juliane Correa. Progestao: Como promover a construção coletiva do projeto pedagógico da escola? Módulo III. Brasília, CONSED,2001.

CARNEIRO, Moacir Alves. LDB fácil leitura critica – compreensiva artigo a artigo.Petrópolis, Vozes, 1998.

SOUZA, Eustáquia Salvadora, ALTMANN, Helena. Artigo: Meninos e meninas: Expectativa corporais e implicações na educação física escolar (internet).

SAVIANI, Nereide. Saber escolar, Currículo e Didática. Campinas, copyright,2003.

MACHADO, Nilson Jose. Epistemologia e Didática. São Paulo, Cortez, 2002.

COSTA, Marisa Vonaber. Currículo nos limiares do contemporâneo, Rio de Janeiro, Cortez,1999.

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